sim, nós podemos!

30/04/2009 at 16:01 1 comentário

Acabo de ler algumas notícias sobre a manifestação de ontem contra as barbaridades cometidas no CCZ de São Paulo e resolvi comentar sobre isso aqui. Infelizmente, por questões geográficas, não pude participar da manifestação, mas isso não me impede de refletir sobre o tema. Fiquei feliz em saber que mais de 1000 pessoas estiveram por lá exigindo um tratamento digno aos animais que são recolhidos naquela entidade e que tudo transcorreu pacificamente.

Fiquei me perguntando: será que essas condições péssimas acontecem só em São Paulo ou estão acontecendo em mais CCZs pelo país? Eu sempre me interessei por bichos, mas confesso que jamais fui à um Centro de Controle de Zoonoses. No meu imaginário, ali é um circo de horrores e muito provavelmente, eu sairia de lá com todos os cães que desse conta de carregar e enfiar em meu carro. Para outras pessoas, talvez seja um local lindo e mágico que dá tratamento e carinho àqueles animais que as pessoas insistem em jogar nas ruas – como não se deve fazer nem com o lixo, uma vez que boa parte dele é reciclável. Entre as duas percepções deve haver um saudável meio termo – e esse era o objetivo da manifestção de ontem em São Paulo.

Exigir que os animais ali recolhidos recebam alimentação, água e possam ser anunciados para adoção é o mínimo. Batalhar para que um órgão que funciona com dinheiro público (meu, seu e de cada um que paga impostos) use esse dinheiro para campanhas educativas de posse responsável é o óbvio. E um óbvio que não está sendo feito, mas que precisa urgentemente virar realidade. Sabemos todos que animais vagando a esmo nas ruas, sem cuidados, alimentação e carinho podem sim trazer consequências graves à sáude do ser humano, além de evidenciar nosso profundo descaso pelos outros seres que habitam nosso planeta. Ninguém gosta de encontrar um cachorro esquálido ao sair para o trabalho de manhã. E há muitos anos, ao invés de investir em educação – porque posse responsável poderia ser ensinada nas escolas com tranquilidade – a opção foi por criar os CCZs, para recolher os animais, exterminando os doentes e dando destino aos outros. Claro que não poderia ser tão simples. Sem educar a população, mais e mais animais foram sendo jogados nas ruas e não há órgão público que consiga dar “vazão” a tantos bichos saudáveis. “Não há donos para todos”. “Ninguém quer um aninal de segunda mão, que sabe-se lá por onde andou”. Sob esses argumentos, todos os CCZs do país iniciaram uma matança generalizada dos animais que em 10 dias não conseguissem adotantes. Sem divulgação dos animais, sem cuidados, sem respeito e com o requinte da crueldade da câmara de gás. Tenebroso, não?

Mas o que eu tenho a ver com isso? Cuido super bem dos meus bichos, dou ração, carinho, amor… Todos nós temos tudo a ver com isso. Cada cãozinho que temos em casa e não castramos, que foge e procria, coloca no mundo um sem número de inocentes criaturas que fatalmente irão morrer na câmara de gás. Radical? Pode ser. Cada vez que alguém compra um filhote no pet shop sem saber sua procedência está alimentando a outra ponta desse ciclo vicioso de horrores. Vender bichos é um bom negócio – e nem todos que vendem estão preocupados com o bem estar dos animais. Radical de novo? Pode ser. Quando alguém larga nas ruas um cachorro bagunceiro que destruiu metade dos móveis achando que uma “alma boa” vai se apiedar da criatura e lhe dar um lar, está mandando o bicho para uma morte cruel. Ainda mais radical?Pode ser. Quando outro alguém enche uma caixa de papelão com os filhotes indesejados de seus casal de gatos, que se reproduz loucamente porque não são castrados, e abandona essa caixa num lote vago dizendo aos amigos que gatos são espertos e se viram sozinhos, está condenando essas fofuras à morrer de fome, de sede, a pauladas ou na câmara de gás. Nossa, você é uma radical xiita? Pode ser.

Mas enquanto não estivermos empenhados em questionar a educação que temos em nosso país, exigindo das autoridades – e de cada um de nós – mudanças reais de atitudes, estaremos sendo coniventes com tudo isso. Castrar nossos animais é questão de saúde pública. Cuidar para que os CCZs trabalhem como órgão educativo e que incentive a adoção dos animais saudáveis é questão de saúde pública. Reciclar o lixo é questão de saúde pública. Explicar às pessoas de nosso convívio os fundamentos da posse responsável é questão de saúde pública. E era isso que as mais de 1000 pessoas ontem em São Paulo estavam fazendo: chamando a atenção e dando sugestões efetivas para transformar o CCZ da maior cidade do país num novo e bom exemplo a ser seguido. Nós merecemos e os animais também. Espero ver revertidas logo em realidade essas propostas, nós podemos sim ser um país melhor.

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