o primeiro cocker – capítulo 1

28/08/2008 at 23:19

Uma ida despretensiosa ao Mercado Central, meu pai e minha irmã chegaram em casa com um presente para minha mãe: um filhote irresistível de cocker. Era uma cadela pretinha, de olhos doces, derretida de tão carente. Foi amor à primeira vista! Minha mãe paparicava Lucrécia todo o tempo que passava em casa. Isolada da Cinira até completar o ciclo de vacinas, um dia de manhã meu pai avisou: “essa cachorra não está legal”. Levamos ao veterinário e tivemos o diagnóstico: cinomose. Foram dias intermináveis de internação, visitas chorosas à clínica, tristeza e silêncio em casa. Mas quando ela voltou… a carinha alegre e o toquinho de rabo abanando ofuscaram a magreza e o abatimento. Logo ela recuperou o peso e estava radiante pelo quintal. Lucrécia e Cinira não tiveram maiores problemas de adaptação, uma rusguinha aqui e ali, mas nada de mais grave.

Alguns meses depois, meu pai voltou a chamar a nossa atenção. “Ela não se levantou para fazer festinha, está muito quieta”. Corremos ao veterinário, outra internação, era a cinomose de novo. Dessa vez foi um tempo longo, mais de um mês. O médico foi bem claro, não sabia se ela ia escapar, até porque, não tinha muito o que fazer. Estávamos no início da década de 90 e não havia um tratamento específico. Ele propôs como tentativa uma técnica desenvolvida por ele e ainda em fase de testes. E acrescentou que, caso ele achasse que não valeria à pena insistir, sugeriria uma eutanásia. Foi uma proposta ousada em todos os sentidos, mas minha mãe decidiu aceitar. As visitas foram restritas num primeiro momento e eu não pude vê-la por vários dias. As comunicações eram por telefone, ficávamos torcendo para que a Lucrécia conseguisse se recuperar.

Quando fomos buscá-la, uma choradeira só: entrou na recepção andando devagar, com trechos dos pelos raspados nas patas, por causa do soro, mas abanava o toco de rabo e foi direto até minha mãe. O veterinário nos entregou caixas de medicamentos que ela devia tomar por algum tempo e informou que, à medida que a idade fosse chegando, poderia apresentar sequelas. Chegamos em casa com nossa pequena ainda muito cansada, mas dormimos todos aliviados. Lucrécia mal completou 1 ano quando nós mudamos novamente de casa. Finalmente, meus pais realizavam o sonho de sair do aluguel e ter o cantinho deles. Aportamos com nossas duas cadelas na casa onde hoje vive o Chicó.
(continua…)
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