trio vira-lata

17/03/2008 at 11:57

Quando a Pepita sumiu, eu e minha irmã ganhamos dois cachorrinhos: um vira-latas dourado e um vira-latas preto e branco. O primeiro, era mestiço com cocker, e tinha uma pelagem belíssima. O segundo, era uma miniatura da Pupu. Os dois eram filhotes, machos, e absolutamente adoráveis! Ganharam casinha no quintal e duas meninas loucas por cachorro como donas. Passávamos todo o tempo disponível brincando com eles. O dourado foi batizado de Horácio, e o pretinho de Mug.

A dupla se dava bem, não era de brigas, gostava de carinho e de brincar. Como qualquer cachorro, faziam xixi nos cantinhos, e a área interna da casa era proibida para eles. “Lugar de cachorro é no quintal” passou a ser um mantra. Era difícil para nós, as crianças, nos acostumarmos com isso, afinal, a Pupu vivia dentro de casa… mas, as coisas mudam, e uma vantagem de ser criança é a infinita capacidade de adaptação.

Eu e minha irmã levávamos os cães para passear por ali, perto de casa, com uma certa frequência. Dava trabalho colocar as guias, mas eles adoravam os passeios, e aí a trabalheira era justificada. E passear com Horácio e Mug era lento: eles paravam em cada uma das árvores, que na BH do final da década de 80, eram muitas. Sem falar nos cachorros da vizinhança, que vira e mexe escapavam para a rua, aí era uma correria só! A gente voltava para casa em desabalada carreira!

A dupla já estava conosco havia uns três meses, quando uma Tia me levou para conhecer a cadelinha pequinês que ela já tinha encomendado para mim. Quando voltei para casa com a Cinira no colo, dormindo a sono solto, já estava de noitinha, e ninguém botou muito reparo nela. A fofura dormiu numa caixinha, dentro de casa, ainda isolada dos outros cães, até que as vacinas estivessem todas providenciadas.

No dia seguinte, meus pais me acordaram cedo para levarmos a Cinira ao veterinário, para os procedimentos de rotina: consulta, vacina, vermífugo. Foi quando meu pai falou: “Pequinês? Aonde? Só se for porque é um cachorro pequeno!” Ele tinha razão: Cinira foi o vira-lata mais vira-lata que já passou em nossa casa. Ela ia crescendo e ficando no “padrão”: marrom e branca, pelinho baixo, durinho, porte médio, e um medo tremendo de água fria e foguetes.

A apresentação da Cinira aos demais cães da casa não demorou muito, talvez um mês. Ela passou a dormir lá fora com eles, e logo ocupou o melhor lugar na casinha, que tinha duas portas, deixando Horácio e Mug dividindo uma delas. Algumas rusgas começaram a acontecer, o que nos assutava, afinal nunca tínhamos visto uma briga de cachorros na vida! Numa dessas, fui acudir o Mug, que era menor, mas a briga ainda não tinha terminado de vez. Quando coloquei a mão nele, o Horácio se virou para continuar a confusão, e acabou acertando uma mordida na minha mão. Não sei quem se assutou mais, eu ou ele. O coitado ficou quase uma semana de rabinho baixo, visivelmente arrependido. E eu, fui tomar uma anti-rábica básica no pronto socorro, e ganhei de brinde uma anti-tetânica! Lembro de ficar uns 3 dias sem assentar… Nem esse incidente me fez ter medo de cachorro. Mal voltei para casa e já estava no quintal de novo, com eles. Depois de estabelecida a hierarquia – Cinira era a líder – a paz reinava quase sempre. E assim, tínhamos nossa própria matilha!

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