quase um cocker

17/02/2008 at 13:30 2 comentários

Desde o casamento, eu havia decidido ter mais um cão. Eu precisava da companhia de um cachorro que soubesse ser um cachorro. Definitivamente, a Shiva achava que era uma pessoa. Achava, não: tinha certeza. Quanto mais ela cavava, roía e destruía, mais eu sonhava com um novo cãozinho. Que fosse pequeno, com uma boca pequena, que tivesse um potencial destrutivo menor. Que gostasse de colo. Que soubesse ficar quieto, deitado aos pés das pessoas por pelo menos 5 minutos.


Comentei sobre isso com minha amiga “gateira”. Ela me sugeriu procurar um cachorrinho junto à ProAnima, uma ong que atua aqui no DF. Entrei no site e vi muitas fotos. Claro que achei todos lindos e adoráveis. Mas eu não pensava em um filhote. Não teria tempo, e minha paciência (que já não é de grande volume, diga-se de passagem) estava quase toda investida na Shiva. Procurava um cãozinho adulto. Entrei em contato com a ong e agendei uma visita.
Minha amiga “gateira” foi comigo. Foi um dia difícil. Eram muitos cães precisando de um lar, de alguém que cuidasse deles, que desse carinho. Não que estivessem maltratados, pelo contrário. Mas estavam disponíveis para adoção, alguns há muito tempo. Eu olhava para tantos bichinhos e minha vontade era levar todos para casa. Minha amiga já estava chorando. Eu nem tentava conter as lágrimas. De repente, bati o olho no fundo da área onde estavam. Dentro de um buraquinho, latindo deitado, estava um pequeno cãozinho preto e peludo. Chamei, e ele veio. Os mais de 10 filhotes barulhentos se amontoaram sobre ele. Tentava se desvencilhar, mas os filhotes eram insistentes. Acabou voltando para seu buraquinho. Entrei no cercadinho e fui até ele. Peguei-o no colo e avisei à veterinária que viria buscá-lo, tão logo o canil da minha casa estivesse pronto. A obra não acabava nunca!!!


Quase um mês depois, as voluntárias trouxeram o escolhido. E ele já tinha nome: Guido. Chegou assutado, mas me reconheceu e fez festinha. Começaram as apresentações. Shiva e toda sua delicadeza deram boas vindas. Ele ficou apavorado! Mas em 10 minutos já tinham se entendido. Ela rasgou em tiras o paninho que estava na caminha dele. Nem fez falta. Dormiram embolados naquela noite, e até hoje dormem juntinhos, mesmo quando faz calor.


Guido foi quem ajudou – e muito – a tornar a Shiva uma cadela mais calma. Lhe faz companhia, brinca, corre, perturba, ajuda a cavar, ensina a perseguir pássaros. Me ajudou também a ter mais paciência com as maluquices da Shiva, a melhorar meus humores, a ser mais doce.
Quando contei aos meus pais e amigos que tínhamos mais um cão, acharam que eu estava louca. Minha sogra sugeriu que eu providenciasse uns netinhos para ela. E a pergunta que mais ouvi (depois do “Você ficou doida?”) foi: “que raça ele é?” E eu respondi a todos: “quase um cocker”…

Anúncios

Entry filed under: Sem categoria. Tags: .

a chegada da Shiva bumba-meu-boi

2 Comentários

  • 1. Beatriz Levischi  |  20/02/2008 às 16:24

    Linda a história do Guido! Aqui em Gatoca Clara Luz também ajudou Mercvrivs a ser menos mimado. Todo bichinho deveria ter uma companhia de bagunça da sua espécie. Faz muita diferença. E parabéns pela escolha em adotar! 🙂

  • 2. Marcela  |  30/03/2008 às 0:51

    É mesmo, acho que adotar é a melhor escolha, você ainda será muito recompensada por isso… Eu que o diga pois meus 2 gatos são adotados! Bjo


quem sou eu

a matilha

PitaPata Dog tickers PitaPata Dog tickers

mais recentes

no twitter

(e o melhor, sem baba!) assine o blog e receba notificações de novas postagens por email

Junte-se a 4 outros seguidores

arquivo por data

o conteúdo deste blog é protegido!

Creative Commons License
This work by Bella (Isabella Neves) is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License Todos os textos e imagens devem conter referência ao autor e link para o post citado.

%d blogueiros gostam disto: